
Conhecia Monique na faculdade já fazia um tempo, mas creio que me apaixonei desde a primeira vez que a vi.
Lembro-me que nas primeiras semanas já éramos amigos e meses depois começamos a namorar. Monique era uma garota incrível, meiga e muito bonita, estava realmente apaixonado por ela.
Estávamos prestes a completar um ano de namoro quando recebi um telefonema em meu serviço, ao atender reconheci a voz de Amélia, minha sogra totalmente apavorada. Já nervoso pedi que ela se acalmasse e me explicasse melhor o que estava acontecendo, ela parecia muito transtornada e não conseguia dizer o que tinha ocorrido, apenas disse onde estava.
Desliguei o telefone e, deixando tudo no trabalho fui correndo ao seu encontro, ao entrar no quarto daquele hospital vejo Amélia sentada próximo a uma cama entregue as lagrimas, sem entender nada dirigi meu olhar para a maca e vejo Monique enfaixada quase que o corpo inteiro, incluindo sua face. Nesse momento meu mundo perdeu o chão, parecia estar despencando em um buraco sem fundo, ver Monique toda enfaixada e com vários aparelhos entubados em seu corpo me deixou totalmente sem reação e completamente sem rumo.
Aproximei-me de Amélia e coloquei minha mão sobre seu ombro e não consegui pronunciar uma palavra se quer, pois o nó que tinha em minha garganta não permitia. Ficamos minutos ali, em profundo choro até que o medico chegou para dar noticias sobre o estado de Monique.
Segundo ele o acidente tinha sido muito grave, e com a explosão do veículo alem de ter queimado grande parte de seu corpo, afetou sua visão. Aquilo tudo parecia um grande pesadelo que eu não conseguiria acordar nunca, passei aquela semana inteira ao lado de Monique no hospital totalmente desacordada. No final de semana, Amélia pediu que eu fosse para casa descansar. Acatei seu pedido, mas não adiantou muito, pois em casa conseguia dormi menos ainda do que no hospital e também chorava bastante.
Na segunda-feira pela manha passei na empresa e expliquei o que tinha acontecido, consegui um tempo de licença para poder ficar com ela, ao chegar ao hospital antes do almoço encontro meus sogros saindo do quarto, bastante abalados indo almoçar.
Perguntei como estava Monique e Amélia não conseguindo se conte saiu chorando, deixando que Adriano me desse às notícias sobre a filha. Ele me levou até uma sala que se encontrava no andar e pediu que eu me sentasse para ele explicar melhor o que estava acontecendo.
Adriano de cabeça baixa começou a contar que Monique tinha acordado no final de semana, então o interrompi:
-E ela perguntou por mim?
Segundo o que ele respondeu a memória dela tinha sido afetada e que ela mal reconheceu os pais, não conseguia acreditar naquilo e pedi para vê-la. Ele concordou e desceu ao encontro de Amélia.
Ao entrar no quarto vi que Monique dormia e me aproximei da cama, ao segurar em suas mãos comecei a chorar, ela acordou assustada comigo, sem entender muita coisa falei:
-Sou eu meu amor!
Ela não reconhecendo minha voz começou a gritar apavorada, pedia que ela se acalmasse, mas parecia que quanto mais falava pior ela ficava, chegou o medico e pediu que eu me retirasse, pois ela não podia se agitar daquela forma, Adriano falou para eu não voltar mais lá por um tempo, não consegui atender ao seu pedido, ia todos os dias para o hospital saber noticias sobre o estado de minha namorada.
Meu peito passava apertado quase o dia todo, até que depois de um mês que Monique estava internada ouvi o medico dizer que ela precisaria de um transplante ocular e que a caminharia para a fila de doação.
Ao escutar isso outra bomba caiu sobre minha cabeça. Tentei entrar no quarto, mas Adriano me impediu, implorei por noticias, mas ele me pediu que fosse embora, não conseguia compreender o porquê daquilo tudo então resolvi ir atrás do medico que cuidava de Monique.
Ele me falou pouca coisa, apenas disse que ela realmente iria precisar de um transplante ocular, e assim que conseguisse demoraria poucos meses para ela receber alta. Por um lado fiquei aliviado, mas acabei me lembrando que nessa fila alem de existirem varias pessoas esperando, o risco dela não conseguir o transplante era muito grande.
Peguei meu carro e fui para a praia mais perto dali, precisava por meus pensamentos em ordem para tomar uma decisão.
Após um dia inteiro na beira da praia, pude organizar minhas idéias e decidir o que iria fazer.
No dia seguinte voltei ao hospital e fui falar com o medico, meu coração batia acelerado e eu estava muito nervoso, contei tudo que estava planejando fazer e meus motivos, ele muito surpreso com minha atitude perguntou se era isso mesmo que eu queria e que não teria mais volta.
Fiquei um tempo a pensar, mas já estava decidido era aquilo que iria fazer e não mudaria de idéia naquele momento!
Não comuniquei minha decisão aos meus sogros, apenas pedi para conversar com Monique que, ao me ouvir ficou assustada pedi que me deixassem a sós com ela para que pudéssemos conversar.
Essa foi uma conversa muito dolorosa para mim, Monique dizia que por estar daquela forma não queria que eu me prendesse a ela, pois ela mal se lembrava de mim e que eu estaria livre para seguir minha vida. Aquelas palavras não cabiam em meu coração e a dor que sentia era imensa, disse que nunca a abandonaria e muito menos naquele momento. Ela não queria me ouvir, parecia estar decidida e terminou comigo naquele dia mesmo.
Aquilo me provocou tamanha tristeza, mas o amor que sentia por ela não conseguia se conte em meu peito e não voltaria atrás em minha escolha.
Assinei toda a papelada do transplante e em uma semana depois, estava entrando na sala de cirurgia, pedi sigilo absoluto ao medico quanto ao comunicar meus sogros quem era o doador e assim foi feito. A cirurgia foi um sucesso, Monique recebeu alta meses depois totalmente recuperada.
Já se passaram quinze anos e hoje, quando fui ao banco pude reconhecer sua voz, não sei se ela se lembrou de mim, mas ao sentir sua presença, pude sentir todo o amor guardado em meu peito por tanto tempo pulsar forte novamente.
Não me arrependo do que fiz e se pudesse teria feito mais por Monique, tenho vontade de contar que quem fez a doação para ela fui eu, mas o tempo é justo e se encarregara disto! Até hoje não consegui esquecer-la e muito menos apaixonar-me de novo, mas isso não me importa, mesmo sozinho o amor que tenho em meu peito é suficiente para me fazer acordar dia após dia!
Minha interpretaçao desse video:
http://br.youtube.com/watch?v=fwp9jl3aRfo
Obrigado,
Rodrigo.

2 comentários:
Achei muito lindo =)
http://alacarte-domeujeito.blogspot.com/
muito muito lindo :')
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