
"Eu fui para beira da praia pra ver o balanço do mar, me lembrei da sereia e comecei a chamar!"
Me lembro de acompanhar meu pai nas viajens matutinas que ele fazia em auto-mar para pescar.
E foi numa dessas manhas normais de trabalho em que ele passou muito mal no barco, de ficar um tempo inconciente e se sentir muito tonto, mas ele muito forte como sempre foi nao deixou-se abater. Se passou uma semana e ele muito fraco caiu de cama, nao conseguindo aguentar.
Eu tinha 8 anos e me recordo de ver minha mãe chorando aflita por conta dele, nao entendia direito o que estava acontecendo e comecei a ficar assustado.
Ele me chamou no quarto e disse para mim ser forte pois nao teria mais o que ser feito, para mim não abandonar minha mãe e continuar com a pesca, nao consegui segurar e comecei a chorar desesperado.
-Não chore meu filho, eu nunca vou te abandonar, nao importa aonde estiver! Agora me faça um favor...
Ele me pediu que pegasse uma grande concha que ele tinha a tempos numa pratileira acima da cabeceira da cama e que eu apagasse a vela que seu Joaquim, o curandeiro do vilareijo deixará ao seu lado.
-Preste atençao filho, farei minha ultima prece a minha querida Sereia e amanha nessa mesma hora quero que você devolva essa concha ao mar.
-Mas por que pai? - perguntei curioso.
Ele me explicou que tinha ganhado aquela concha a muito tempo átras da bela Rainha do mar e sempre que precisou era só pedir a brilhante concha que a Sereia vinha ao seu auxilio, e assim começou sua oraçao e a concha começou a brilhar e a envolver seu corpo com sua intensa luz. Fiquei impressionado com o que via e nao entendia da onde saia tanto brilho.
Meu pai faleceu pela manhã e foi uma grande perca pra todos, mas ele trazia em seu rosto um semblante calmo, suave e satisfeito.
Durante a noite seguinte entrei no mar para fazer o que ele me pediu, antes de devolve-la a agua fiz uma prece a ela como meu pai fizerá na noite anterior, mas ao contrario dele a concha nao me devolveu nem uma faisca, fiquei um pouco decepsionado e a lancei mar a dentro.
O tempo se passou e eu segui a rotina de meu pai, saia antes do sol nascer e voltava antes dele estar alto.
Se completava naquela noite de céu limpo e estrelado 10 anos desde a morte de meu pai.
Entrei na água que refletia a lua pratiada e me espantei pela tranquilidade das ondas que pareciam beijar o casco de meu barco de tao suave que estava seu balanço, foi quando ouvi um doce cantar vir de dentro d'agua, fiquei admirado com a beleza do som que vinha das ondas.
A lua clariava as aguas, mas uma luz mais intensa apareceu por tras do barco, ao me virar vejo uma bela mulher bailando nas ondas e percebi que a canção que eu ouvirá vinha dela.
Ela trazia acima da cabeça 3 estrelas radiantes que ofuscava minha visão com seu intenso brilho.
Seu canto ficará mais alegre ao ver que chorava de emoção por sua presença.
Ela ergueu seus braços e pude ver em uma de suas mãos a concha que eu devolverá ao mar 10 anos atras e na outra uma brilhante estrela do mar que inrradiava uma luz azul intensa e penetrante.
Com lagrimas nos olhos recebi das mãos daquela encantadora Sereia a estrela tão brilhante como as que cobria o céu naquela noite.
Hoje ja se passaram 60 anos desse episódio e já nao moro mais na beira da praia como anteriormente, ainda tenho o tão amado presente da Sereia, que como meu pai me disse, nas horas de desespero é um porto seguro.
As vezes, ao cochilar na varanda ouço o cantar da minha amada Sereia, que me faz acordar as lagrimas e sentir uma imença saudade do mar...
'Odoya minha Mãe Sereia, Odoya Mãe Yemanja!
Comentem!Obrigado,
Rodrigo.

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